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De Founder para Founder

O dia em que precisei provar quem eu era sem o logotipo

Hamilton Berteli
Co-founder & CEO da Katalista

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Tinha uma época em que eu entrava em eventos de RH pela porta da frente.

A dos convidados VIP, com acesso a todos os espaços de relacionamento, aquele lugar onde as conversas que importam de fato acontecem. Durante anos, foi assim. Eu era Hamilton da IBM. Hamilton da Elo. Hamilton da Avanade. O sobrenome corporativo abria passagens que dinheiro não compra.

Então eu virei empreendedor.

Um ano depois de fundar a Katalista, voltei a um desses eventos. Mesmo evento, mesmo Hamilton. Crachá diferente. Entrei como congressista. Os organizadores já não tinham mais o mesmo apreço pela minha presença.

Fiquei parado naquele salão e pensei: a comunicação do meu valor de mercado passou a ser uma tarefa exclusivamente minha. Contínua, atualizada e consistente.

Ali nasceu a ideia que se tornaria a Katalista como é hoje.

O sobrenome que some — e o canal que a empresa desperdiça

Enquanto você é executivo de uma grande empresa, você tem como sobrenome a própria empresa. É muito clara a conexão entre a história do executivo e a história da empresa — um empréstimo mútuo de credibilidade que funciona nos dois sentidos. A empresa empresta seu nome a você. Você empresta sua reputação e sua rede à empresa.

Esse segundo movimento é o que as organizações raramente enxergam com clareza. Um diretor sênior numa empresa de tecnologia, consultoria ou serviços financeiros carrega na sua rede dezenas de milhares de decisores qualificados — compradores, parceiros, candidatos, formadores de opinião. Essa rede foi construída ao longo de anos, muitas vezes a serviço da própria empresa. E opera com menos de 1% da sua capacidade de distribuição.

O potencial é imenso. A execução, quase sempre, inexiste.

O motivo é operacional: o executivo não tem tempo para dominar o algoritmo, e seu custo de oportunidade é alto demais para isso. Conteúdo raso de IAs genéricas é cada vez mais rejeitado pelo mercado. E, em setores regulados, o risco de compliance funciona como uma camisa de força — qualquer post parece um campo minado, então o silêncio vira a escolha mais segura.

O resultado é que a empresa perde o seu maior ativo de mídia: a voz, a rede e a credibilidade dos seus próprios líderes, que poderiam estar construindo autoridade, gerando demanda e atraindo talentos de forma contínua e escalável.

Quando você sai dessa empresa, a equação muda de lado. A prioridade na agenda do seu interlocutor diminui muito, na medida em que você não influencia mais a meta dele diretamente. Reuniões que aconteciam praticamente imediatamente no passado passaram a ser aquelas postergadas ad eternum. O sobrenome some — e, com ele, boa parte do acesso que você levou anos para construir.

Eu e meu sócio Jun Endo conhecíamos esse problema pelos dois lados. Juntos, acumulamos passagens por IBM, Avanade, Elastic, Accenture — mais de 20 anos cada um. Quando a IA generativa começou a ganhar tração, percebemos que podíamos criar uma jornada fluida, de baixa fricção, que permitisse que esse canal de distribuição dormente nas organizações aflorasse de fato — com governança, com consistência e sem renunciar ao compliance.

Três pivôs e quase quebrando

A Katalista passou por três versões até chegar aonde está.

A empresa original tinha outro propósito: educação e formação de soft-skills para funcionários que acabavam de ganhar sua primeira responsabilidade de gestão. Foi bem por um ano e meio — até o mercado de treinamento e desenvolvimento afundar com os layoffs em cascata das empresas de tech em 2023 e o retrocesso ao presencial pós-pandemia.

Tivemos que decidir entre fechar ou pivotar.

Havia um ativo que havíamos construído silenciosamente durante aquele período: um motor de curadoria de conteúdo sofisticado. Foi nele que enxergamos a saída — e as bases do que a Katalista entrega hoje.

O primeiro movimento foi uma plataforma 100% B2C, SaaS, autosserviço. Boa tração, mas unit economics ruim e retenção difícil. Primeiro platô.

Muito influenciados pelos feedbacks da WOW Aceleradora, criamos então a camada Concierge — um "personal trainer" para guiar executivos na produção de conteúdo. Antes mesmo do conceito de Services-as-Software virar moda no Vale do Silício, já o praticávamos no Brasil. Primeiro estirão de crescimento.

Seis meses depois, novo platô. Ticket aumentou, conversão aumentou — o churn ainda resistia. Apostamos então no B2B enterprise, o espaço que eu e Jun dominávamos. Ticket médio subiu. Churn caiu para menos de 2% ao mês. A curva de receita começou a apontar para cima de forma consistente.

Quase quebramos várias vezes. Contamos fundamentalmente com o apoio de investidores, parceiros e com nossa resiliência para mudar de direção. É o que a jornada empreendedora exige.

De executivos para executivos

A Katalista carrega uma credibilidade que vem de quem viveu o problema.

Jun — ex-VP da Elastic para a América Latina, ex-MD da Accenture, ex-GM da Avanade — vai a eventos, alimenta relações, é parte do modus operandi dele. Faz isso o tempo todo. Eu faço o mesmo. A aquisição dos nossos maiores clientes vem da combinação da reputação pregressa com um modelo de serviço inovador — e de muito relacionamento construído ao longo de décadas.

Em abril de 2026, 13% do nosso pipeline qualificado veio diretamente dos posts no LinkedIn dos sócios — conteúdo gerado pela ferramenta que vendemos. Clientes como Avanade, DXC Technology, Certisign, Qlik e Pipefy chegaram por esse caminho. Empresas que não entram em qualquer solução.

O que me preocupa

Me preocupo em não sermos mais uma feature de um modelo de IA sofisticado, mas um serviço fim-a-fim para resolver a dor dos nossos clientes — provendo uma experiência consistente e resultados expressivos que a IA, sozinha em sua plataforma, não entregaria.

A resposta está na jornada que construímos: o Compliance Shield que verifica cada conteúdo antes de ir ao ar, o personal trainer que conhece a história de cada executivo, a memória institucional que leva meses para se formar. Trocar de plataforma significa perder tudo isso. Esse é o nosso moat real.

O que o crachá ensinou

A Katalista nasceu quando senti, na prática, que o sobrenome corporativo tem prazo de validade — e que manter presença relevante e consistente no mercado passa a ser uma responsabilidade exclusiva do indivíduo.

A lição que carrego: produtos duradouros nascem de dores que o fundador conhece de dentro. A minha estava estampada num crachá de congressista, num evento de RH onde eu costumava entrar pela outra porta.

A comunicação do meu valor é uma tarefa exclusivamente minha.

Só demorei um pouco para transformar isso em empresa.

Hamilton Berteli é Co-founder & CEO da Katalista, o sistema operacional de influência corporativa em escala. Ex-Partner na IBM, CIO do Cartão Elo e VP na Avanade. A Katalista é acelerada pela WOW Aceleradora de Startups.

Tinha uma época em que eu entrava em eventos de RH pela porta da frente.

A dos convidados VIP, com acesso a todos os espaços de relacionamento, aquele lugar onde as conversas que importam de fato acontecem. Durante anos, foi assim. Eu era Hamilton da IBM. Hamilton da Elo. Hamilton da Avanade. O sobrenome corporativo abria passagens que dinheiro não compra.

Então eu virei empreendedor.

Um ano depois de fundar a Katalista, voltei a um desses eventos. Mesmo evento, mesmo Hamilton. Crachá diferente. Entrei como congressista. Os organizadores já não tinham mais o mesmo apreço pela minha presença.

Fiquei parado naquele salão e pensei: a comunicação do meu valor de mercado passou a ser uma tarefa exclusivamente minha. Contínua, atualizada e consistente.

Ali nasceu a ideia que se tornaria a Katalista como é hoje.

O sobrenome que some — e o canal que a empresa desperdiça

Enquanto você é executivo de uma grande empresa, você tem como sobrenome a própria empresa. É muito clara a conexão entre a história do executivo e a história da empresa — um empréstimo mútuo de credibilidade que funciona nos dois sentidos. A empresa empresta seu nome a você. Você empresta sua reputação e sua rede à empresa.

Esse segundo movimento é o que as organizações raramente enxergam com clareza. Um diretor sênior numa empresa de tecnologia, consultoria ou serviços financeiros carrega na sua rede dezenas de milhares de decisores qualificados — compradores, parceiros, candidatos, formadores de opinião. Essa rede foi construída ao longo de anos, muitas vezes a serviço da própria empresa. E opera com menos de 1% da sua capacidade de distribuição.

O potencial é imenso. A execução, quase sempre, inexiste.

O motivo é operacional: o executivo não tem tempo para dominar o algoritmo, e seu custo de oportunidade é alto demais para isso. Conteúdo raso de IAs genéricas é cada vez mais rejeitado pelo mercado. E, em setores regulados, o risco de compliance funciona como uma camisa de força — qualquer post parece um campo minado, então o silêncio vira a escolha mais segura.

O resultado é que a empresa perde o seu maior ativo de mídia: a voz, a rede e a credibilidade dos seus próprios líderes, que poderiam estar construindo autoridade, gerando demanda e atraindo talentos de forma contínua e escalável.

Quando você sai dessa empresa, a equação muda de lado. A prioridade na agenda do seu interlocutor diminui muito, na medida em que você não influencia mais a meta dele diretamente. Reuniões que aconteciam praticamente imediatamente no passado passaram a ser aquelas postergadas ad eternum. O sobrenome some — e, com ele, boa parte do acesso que você levou anos para construir.

Eu e meu sócio Jun Endo conhecíamos esse problema pelos dois lados. Juntos, acumulamos passagens por IBM, Avanade, Elastic, Accenture — mais de 20 anos cada um. Quando a IA generativa começou a ganhar tração, percebemos que podíamos criar uma jornada fluida, de baixa fricção, que permitisse que esse canal de distribuição dormente nas organizações aflorasse de fato — com governança, com consistência e sem renunciar ao compliance.

Três pivôs e quase quebrando

A Katalista passou por três versões até chegar aonde está.

A empresa original tinha outro propósito: educação e formação de soft-skills para funcionários que acabavam de ganhar sua primeira responsabilidade de gestão. Foi bem por um ano e meio — até o mercado de treinamento e desenvolvimento afundar com os layoffs em cascata das empresas de tech em 2023 e o retrocesso ao presencial pós-pandemia.

Tivemos que decidir entre fechar ou pivotar.

Havia um ativo que havíamos construído silenciosamente durante aquele período: um motor de curadoria de conteúdo sofisticado. Foi nele que enxergamos a saída — e as bases do que a Katalista entrega hoje.

O primeiro movimento foi uma plataforma 100% B2C, SaaS, autosserviço. Boa tração, mas unit economics ruim e retenção difícil. Primeiro platô.

Muito influenciados pelos feedbacks da WOW Aceleradora, criamos então a camada Concierge — um "personal trainer" para guiar executivos na produção de conteúdo. Antes mesmo do conceito de Services-as-Software virar moda no Vale do Silício, já o praticávamos no Brasil. Primeiro estirão de crescimento.

Seis meses depois, novo platô. Ticket aumentou, conversão aumentou — o churn ainda resistia. Apostamos então no B2B enterprise, o espaço que eu e Jun dominávamos. Ticket médio subiu. Churn caiu para menos de 2% ao mês. A curva de receita começou a apontar para cima de forma consistente.

Quase quebramos várias vezes. Contamos fundamentalmente com o apoio de investidores, parceiros e com nossa resiliência para mudar de direção. É o que a jornada empreendedora exige.

De executivos para executivos

A Katalista carrega uma credibilidade que vem de quem viveu o problema.

Jun — ex-VP da Elastic para a América Latina, ex-MD da Accenture, ex-GM da Avanade — vai a eventos, alimenta relações, é parte do modus operandi dele. Faz isso o tempo todo. Eu faço o mesmo. A aquisição dos nossos maiores clientes vem da combinação da reputação pregressa com um modelo de serviço inovador — e de muito relacionamento construído ao longo de décadas.

Em abril de 2026, 13% do nosso pipeline qualificado veio diretamente dos posts no LinkedIn dos sócios — conteúdo gerado pela ferramenta que vendemos. Clientes como Avanade, DXC Technology, Certisign, Qlik e Pipefy chegaram por esse caminho. Empresas que não entram em qualquer solução.

O que me preocupa

Me preocupo em não sermos mais uma feature de um modelo de IA sofisticado, mas um serviço fim-a-fim para resolver a dor dos nossos clientes — provendo uma experiência consistente e resultados expressivos que a IA, sozinha em sua plataforma, não entregaria.

A resposta está na jornada que construímos: o Compliance Shield que verifica cada conteúdo antes de ir ao ar, o personal trainer que conhece a história de cada executivo, a memória institucional que leva meses para se formar. Trocar de plataforma significa perder tudo isso. Esse é o nosso moat real.

O que o crachá ensinou

A Katalista nasceu quando senti, na prática, que o sobrenome corporativo tem prazo de validade — e que manter presença relevante e consistente no mercado passa a ser uma responsabilidade exclusiva do indivíduo.

A lição que carrego: produtos duradouros nascem de dores que o fundador conhece de dentro. A minha estava estampada num crachá de congressista, num evento de RH onde eu costumava entrar pela outra porta.

A comunicação do meu valor é uma tarefa exclusivamente minha.

Só demorei um pouco para transformar isso em empresa.

Hamilton Berteli é Co-founder & CEO da Katalista, o sistema operacional de influência corporativa em escala. Ex-Partner na IBM, CIO do Cartão Elo e VP na Avanade. A Katalista é acelerada pela WOW Aceleradora de Startups.