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Avaliar mais de 300 startups em um único batch tem um efeito interessante: padrões começam a aparecer. E, no último Batch da WOW, um deles chamou especialmente a nossa atenção. Em um contexto em que a tecnologia ficou mais fácil de construir software, passamos a exigir mais evidências de execução, distribuição e consistência do time.
Nos últimos anos, construir um produto deixou de ser uma barreira tão alta quanto já foi. Ferramentas de IA, no-code e o chamado vibe coding encurtaram o caminho entre a ideia e o MVP. Como mostrou a pesquisa The State of PMF in the Age of AI, desenvolvida pela WOW e liderada por Felipe Junges, a IA vem acelerando a trajetória até os primeiros sinais de product-market fit e permitindo que times mais enxutos avancem mais rápido em validação, produto e go-to-market. Isso é uma boa notícia, mais pessoas testando hipóteses e tirando projetos do papel.
Mas essa mudança também alterou a forma como olhamos para startups em estágio inicial.
Se antes o simples fato de um time ter construído um produto já funcionava como um sinal forte de capacidade de execução, hoje esse sinal perdeu parte do seu peso isolado. Não porque o produto deixou de importar, mas porque ele passou a ser mais acessível. Quando construir fica mais fácil, o que diferencia fica mais difícil de ver. A régua de investimento ficou menos concentrada no produto em si e mais na capacidade do time de transformar execução em vantagem real.
Nos batches da WOW, temos visto um volume maior de soluções construídas rapidamente com apoio de IA generativa. Isso, por si só, não é um problema. Pelo contrário: esperamos que os founders aproveitem dessas ferramentas. A questão é outra: se a tecnologia reduziu a barreira para construir, o diferencial precisa aparecer em outras camadas do negócio.
Um produto funcional já não basta sozinho para sustentar uma tese de investimento. O que buscamos entender é: esse time sabe exatamente qual problema está resolvendo? É um problema grande e relevante? Existe clareza sobre quem é o cliente? Há sinais reais de uso, engajamento ou disposição de pagamento? E existe alguma leitura de por que esse negócio pode se tornar único com o tempo, seja por distribuição, por acesso a um mercado específico, por dados ou por founder-market fit?
Ao mesmo tempo, algumas coisas não mudaram, e talvez tenham ficado até mais importantes.
Em estágios iniciais, o time continua sendo um dos melhores indicadores da capacidade de adaptação do negócio. O produto muda. A estratégia muda. O mercado responde de formas inesperadas. A tese evolui. E, nesse processo, o que sustenta uma startup não é apenas o que já foi construído, mas a qualidade das decisões que serão tomadas dali para frente.
É um momento nebuloso e estimulante para o ecossistema. Founders estão aprendendo a construir com novas ferramentas, em um ritmo inédito. E investidores, por sua vez, estão aprendendo a ler novos sinais.
No fim, provavelmente essa seja a melhor síntese do momento: nunca foi tão fácil criar uma startup. E, justamente por isso, nunca foi tão importante mostrar quem consegue transformar velocidade em negócio.
Avaliar mais de 300 startups em um único batch tem um efeito interessante: padrões começam a aparecer. E, no último Batch da WOW, um deles chamou especialmente a nossa atenção. Em um contexto em que a tecnologia ficou mais fácil de construir software, passamos a exigir mais evidências de execução, distribuição e consistência do time.
Nos últimos anos, construir um produto deixou de ser uma barreira tão alta quanto já foi. Ferramentas de IA, no-code e o chamado vibe coding encurtaram o caminho entre a ideia e o MVP. Como mostrou a pesquisa The State of PMF in the Age of AI, desenvolvida pela WOW e liderada por Felipe Junges, a IA vem acelerando a trajetória até os primeiros sinais de product-market fit e permitindo que times mais enxutos avancem mais rápido em validação, produto e go-to-market. Isso é uma boa notícia, mais pessoas testando hipóteses e tirando projetos do papel.
Mas essa mudança também alterou a forma como olhamos para startups em estágio inicial.
Se antes o simples fato de um time ter construído um produto já funcionava como um sinal forte de capacidade de execução, hoje esse sinal perdeu parte do seu peso isolado. Não porque o produto deixou de importar, mas porque ele passou a ser mais acessível. Quando construir fica mais fácil, o que diferencia fica mais difícil de ver. A régua de investimento ficou menos concentrada no produto em si e mais na capacidade do time de transformar execução em vantagem real.
Nos batches da WOW, temos visto um volume maior de soluções construídas rapidamente com apoio de IA generativa. Isso, por si só, não é um problema. Pelo contrário: esperamos que os founders aproveitem dessas ferramentas. A questão é outra: se a tecnologia reduziu a barreira para construir, o diferencial precisa aparecer em outras camadas do negócio.
Um produto funcional já não basta sozinho para sustentar uma tese de investimento. O que buscamos entender é: esse time sabe exatamente qual problema está resolvendo? É um problema grande e relevante? Existe clareza sobre quem é o cliente? Há sinais reais de uso, engajamento ou disposição de pagamento? E existe alguma leitura de por que esse negócio pode se tornar único com o tempo, seja por distribuição, por acesso a um mercado específico, por dados ou por founder-market fit?
Ao mesmo tempo, algumas coisas não mudaram, e talvez tenham ficado até mais importantes.
Em estágios iniciais, o time continua sendo um dos melhores indicadores da capacidade de adaptação do negócio. O produto muda. A estratégia muda. O mercado responde de formas inesperadas. A tese evolui. E, nesse processo, o que sustenta uma startup não é apenas o que já foi construído, mas a qualidade das decisões que serão tomadas dali para frente.
É um momento nebuloso e estimulante para o ecossistema. Founders estão aprendendo a construir com novas ferramentas, em um ritmo inédito. E investidores, por sua vez, estão aprendendo a ler novos sinais.
No fim, provavelmente essa seja a melhor síntese do momento: nunca foi tão fácil criar uma startup. E, justamente por isso, nunca foi tão importante mostrar quem consegue transformar velocidade em negócio.