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O objetivo de qualquer aceleradora é ajudar startups com alto potencial a se viabilizarem e crescer mais rapidamente, facilitando o acesso a recursos e ao mercado e disponibilizando capital financeiro, econômico ou intelectual.
Me surpreendo que muitos empreendedores e até investidores pensem que o recurso financeiro é o mais importante, que com dinheiro tudo se resolve. Eu penso que o recurso mais valioso de qualquer startup é o time de empreendedores. E acredito que o processo de aceleração tem mais sucesso e consegue realmente fazer diferença se acelerar o amadurecimento dos empreendedores tanto em habilidades técnicas e de gestão quanto nas chamadas soft skills, que têm muito a ver com o amadurecimento emocional.
Desde o início da WOW cunhamos um lema para a seleção de startups early stage que tem se mostrado válido até hoje: “o jockey é mais importante do que o cavalo”. Realizamos um processo de seleção estruturado em quatro etapas que roda a cada quatro meses. Em média recebemos trezentas inscrições a cada batch, e apenas dez chegam à final. Os empreendedores que chegam à final são avaliados em seis competências chave: ambição, autoconfiança, capacidade de execução, comunicação, liderança e resiliência. O assessment dessas competências é realizado através de questionários desenvolvidos por especialistas especialmente para a WOW.
Não sou especialista, mas não me constranjo em dar minha opinião em relação a essas competências, deixando claro que isso não influenciou nem influencia o processo de decisão da WOW. Analiso-as segundo a perspectiva que Aristóteles elaborou há mais de 2200 anos: “toda virtude está no meio termo entre dois vícios: o da falta e o do excesso”. Além disso, cabe destacar que elas estão muito interrelacionadas, sendo muitas vezes difícil distingui-las.
A falta de ambição gera passividade e falta de motivação. Sem ambição ninguém enfrenta os desafios de qualquer projeto difícil. O excesso de ambição é a ganância, que afasta colaboradores e prejudica o espírito de equipe. Estendi essa análise em outro post.
Falta de autoconfiança é insegurança. A pessoa insegura tem dificuldade para tomar decisões em situações de risco ou incerteza – e tem necessidade de um grau de controle, que muitas vezes é impossível de atingir. Excesso de autoconfiança é temeridade, que faz com que, às vezes, as decisões ignorem perigos previsíveis.
Autoconfiança e capacidade de execução estão ligadas, mas enquanto a autoconfiança diz mais respeito à decisão, a capacidade de execução se relaciona também à objetividade. A falta de objetividade leva ao devaneio e à distração, além da mudança de objetivos no meio do caminho (o que está também ligado a baixa resiliência). No lado oposto, o excesso de objetividade pode prejudicar relacionamentos ao se tornar fechamento ou falta de abertura a interações, principalmente numa cultura como a brasileira, que preza tanto a cordialidade. Essa falta de abertura é também um problema de comunicação.
A dificuldade de comunicação é típica de pessoas tímidas ou ansiosas, que têm receio do julgamento alheio. Outros problemas de comunicação resultam da falta de clareza devido a dificuldade de raciocínio ou falta de domínio da língua. Além disso, há pessoas que têm velocidades diferentes de pensamento e expressão. Há os que pensam rápido demais e não conseguem traduzir isso na linearidade do discurso. Do outro lado há aqueles que falam sem pensar, destravando a língua antes de engrenar o cérebro, e expressam emoções de uma forma que logo se arrependem. A verborragia excessiva também dificulta a compreensão.
Quem tem baixa resiliência deixa-se abater diante de perdas e reveses e não consegue manter o equilíbrio emocional em circunstâncias adversas. Ora, reveses e adversidades são inevitáveis na vida empresarial em particular, mas ocorrem também na vida em geral. No outro extremo, podemos dizer que o “complexo de Poliana” não deixa de ser uma espécie de excesso de resiliência. Aquela pessoa que está sempre alegre e feliz em quaisquer circunstâncias não transmite confiabilidade em situações de perigo ou risco.
Creio que a liderança, na verdade, emerge da combinação equilibrada das demais competências entre outras, destacando-se a moderação. Penso que liderança tem a ver com poder nos seus dois sentidos. De um lado há o “poder de” agir e realizar, relacionado a responsabilidade e liberdade. De outro há o “poder sobre” pessoas e recursos, relacionado a autoridade concedida ou reconhecida. Esse poder só existe se os seus atributos (força, propriedade, personalidade, status) forem reconhecidos e afetarem as emoções de outras pessoas, gerando medo, desejo, respeito, confiança ou amor.
Acelerar startups é, no fundo, acelerar pessoas. Mercados mudam, tecnologias envelhecem e modelos de negócio precisam ser reinventados continuamente. O que realmente sustenta uma empresa nascente é a capacidade dos empreendedores de amadurecer sob pressão sem perder a lucidez, de ter ambição sem cair na ganância, autoconfiança sem cair na temeridade e a resiliência sem negar a realidade.
No fim, o cavalo importa. Mas, em negócios de alta incerteza, continua sendo o jockey quem faz a diferença.
O objetivo de qualquer aceleradora é ajudar startups com alto potencial a se viabilizarem e crescer mais rapidamente, facilitando o acesso a recursos e ao mercado e disponibilizando capital financeiro, econômico ou intelectual.
Me surpreendo que muitos empreendedores e até investidores pensem que o recurso financeiro é o mais importante, que com dinheiro tudo se resolve. Eu penso que o recurso mais valioso de qualquer startup é o time de empreendedores. E acredito que o processo de aceleração tem mais sucesso e consegue realmente fazer diferença se acelerar o amadurecimento dos empreendedores tanto em habilidades técnicas e de gestão quanto nas chamadas soft skills, que têm muito a ver com o amadurecimento emocional.
Desde o início da WOW cunhamos um lema para a seleção de startups early stage que tem se mostrado válido até hoje: “o jockey é mais importante do que o cavalo”. Realizamos um processo de seleção estruturado em quatro etapas que roda a cada quatro meses. Em média recebemos trezentas inscrições a cada batch, e apenas dez chegam à final. Os empreendedores que chegam à final são avaliados em seis competências chave: ambição, autoconfiança, capacidade de execução, comunicação, liderança e resiliência. O assessment dessas competências é realizado através de questionários desenvolvidos por especialistas especialmente para a WOW.
Não sou especialista, mas não me constranjo em dar minha opinião em relação a essas competências, deixando claro que isso não influenciou nem influencia o processo de decisão da WOW. Analiso-as segundo a perspectiva que Aristóteles elaborou há mais de 2200 anos: “toda virtude está no meio termo entre dois vícios: o da falta e o do excesso”. Além disso, cabe destacar que elas estão muito interrelacionadas, sendo muitas vezes difícil distingui-las.
A falta de ambição gera passividade e falta de motivação. Sem ambição ninguém enfrenta os desafios de qualquer projeto difícil. O excesso de ambição é a ganância, que afasta colaboradores e prejudica o espírito de equipe. Estendi essa análise em outro post.
Falta de autoconfiança é insegurança. A pessoa insegura tem dificuldade para tomar decisões em situações de risco ou incerteza – e tem necessidade de um grau de controle, que muitas vezes é impossível de atingir. Excesso de autoconfiança é temeridade, que faz com que, às vezes, as decisões ignorem perigos previsíveis.
Autoconfiança e capacidade de execução estão ligadas, mas enquanto a autoconfiança diz mais respeito à decisão, a capacidade de execução se relaciona também à objetividade. A falta de objetividade leva ao devaneio e à distração, além da mudança de objetivos no meio do caminho (o que está também ligado a baixa resiliência). No lado oposto, o excesso de objetividade pode prejudicar relacionamentos ao se tornar fechamento ou falta de abertura a interações, principalmente numa cultura como a brasileira, que preza tanto a cordialidade. Essa falta de abertura é também um problema de comunicação.
A dificuldade de comunicação é típica de pessoas tímidas ou ansiosas, que têm receio do julgamento alheio. Outros problemas de comunicação resultam da falta de clareza devido a dificuldade de raciocínio ou falta de domínio da língua. Além disso, há pessoas que têm velocidades diferentes de pensamento e expressão. Há os que pensam rápido demais e não conseguem traduzir isso na linearidade do discurso. Do outro lado há aqueles que falam sem pensar, destravando a língua antes de engrenar o cérebro, e expressam emoções de uma forma que logo se arrependem. A verborragia excessiva também dificulta a compreensão.
Quem tem baixa resiliência deixa-se abater diante de perdas e reveses e não consegue manter o equilíbrio emocional em circunstâncias adversas. Ora, reveses e adversidades são inevitáveis na vida empresarial em particular, mas ocorrem também na vida em geral. No outro extremo, podemos dizer que o “complexo de Poliana” não deixa de ser uma espécie de excesso de resiliência. Aquela pessoa que está sempre alegre e feliz em quaisquer circunstâncias não transmite confiabilidade em situações de perigo ou risco.
Creio que a liderança, na verdade, emerge da combinação equilibrada das demais competências entre outras, destacando-se a moderação. Penso que liderança tem a ver com poder nos seus dois sentidos. De um lado há o “poder de” agir e realizar, relacionado a responsabilidade e liberdade. De outro há o “poder sobre” pessoas e recursos, relacionado a autoridade concedida ou reconhecida. Esse poder só existe se os seus atributos (força, propriedade, personalidade, status) forem reconhecidos e afetarem as emoções de outras pessoas, gerando medo, desejo, respeito, confiança ou amor.
Acelerar startups é, no fundo, acelerar pessoas. Mercados mudam, tecnologias envelhecem e modelos de negócio precisam ser reinventados continuamente. O que realmente sustenta uma empresa nascente é a capacidade dos empreendedores de amadurecer sob pressão sem perder a lucidez, de ter ambição sem cair na ganância, autoconfiança sem cair na temeridade e a resiliência sem negar a realidade.
No fim, o cavalo importa. Mas, em negócios de alta incerteza, continua sendo o jockey quem faz a diferença.