.jpg)
Cheguei em empresas totalmente diferentes nesses 14 anos de RH: uma com 200 colaboradores correndo atrás de uma meta agressiva decrescimento, outra com 10 pessoas sendo preparada pra ser vendida. Ouvi a mesmafrase nas duas: "aqui a gente tem uma cultura muito forte". Olhandode perto o que acontecia entre as pessoas, encontrei realidades bem distantesdo que essa frase prometia.
Como especialista em Gestão de Pessoas, cultura para mimnunca foi o conjunto de valores pendurados na parede. É o que as pessoas fazemquando ninguém está olhando, quando o prazo aperta e alguém precisa decidircomo reagir. Por ser invisível, costuma ser tratada como secundária: recebemenos atenção do que estratégia ou vendas, e é deixada para "acontecernaturalmente". O problema é que ela acontece de qualquer forma, com ou semintenção.
Cultura funciona como a infraestrutura que sustenta tudo oque a empresa entrega. Gosto de tratar cultura como "fio condutor".Uma vez escutei essa frase de alguém muito entendido sobre o assunto eencontrei muito sentido nela.
Cultura define a velocidade das decisões, porque determinase as pessoas se sentem seguras para agir. Define a qualidade da entrega,porque molda o quanto cada um se sente responsável pelo resultado final. Edefine como o erro é tratado: vira problema escondido quando é punido, ou écorrigido cedo quando é tratado como informação. Talvez o efeito maissilencioso seja sobre a disposição das pessoas: quem não se sente visto oureconhecido vai embora, mesmo com salário competitivo, e quem fica entrega menos,ocupado em gerir o próprio esgotamento.
Na Dietbox, vi isso de perto. A empresa crescia, mas boaparte das decisões de gente ainda passava pelos fundadores, não porque elesquisessem centralizar, mas porque o time nunca tinha sido preparado pra decidirsem eles. O trabalho ali não foi escrever um manual de quem faz o quê. Foi darcritério e autonomia ao time: orientar o suficiente para que a melhor decisãopudesse ser tomada por quem estava na ponta, sem precisar subir até o fundador.Os fundadores saíram da operação não porque delegaram tarefas, mas porque otime passou a decidir bem sozinho.
Essa cultura se constrói em decisões pequenas e repetidas:como um feedback é dado, se um 1:1 acontece de fato ou é cancelado na primeiraurgência, se uma conquista é reconhecida. A responsabilidade por issoultrapassa o RH, ela está em cada líder que conduz uma conversa difícil e emcada colaborador que decide repetir ou não o que viu ser valorizado.
Se cultura movimenta entrega, decisão e disposição, eladeveria estar na mesma mesa onde se discute crescimento e estratégia.
O convite que deixo é simples de enunciar e difícil desustentar: olhe para os detalhes pequenos do dia a dia da sua empresa. Acultura real que você construiu está ali.
Vitória Schneider é CEO e fundadora da Plunni, consultoriade gestão de pessoas para founders e empresas em crescimento. Já estruturougestão de pessoas em empresas de 200 colaboradores e em times de 10, incluindoa Dietbox, onde tirou os fundadores da operação para colocá-los de volta naestratégia de crescimento.
Cheguei em empresas totalmente diferentes nesses 14 anos de RH: uma com 200 colaboradores correndo atrás de uma meta agressiva decrescimento, outra com 10 pessoas sendo preparada pra ser vendida. Ouvi a mesmafrase nas duas: "aqui a gente tem uma cultura muito forte". Olhandode perto o que acontecia entre as pessoas, encontrei realidades bem distantesdo que essa frase prometia.
Como especialista em Gestão de Pessoas, cultura para mimnunca foi o conjunto de valores pendurados na parede. É o que as pessoas fazemquando ninguém está olhando, quando o prazo aperta e alguém precisa decidircomo reagir. Por ser invisível, costuma ser tratada como secundária: recebemenos atenção do que estratégia ou vendas, e é deixada para "acontecernaturalmente". O problema é que ela acontece de qualquer forma, com ou semintenção.
Cultura funciona como a infraestrutura que sustenta tudo oque a empresa entrega. Gosto de tratar cultura como "fio condutor".Uma vez escutei essa frase de alguém muito entendido sobre o assunto eencontrei muito sentido nela.
Cultura define a velocidade das decisões, porque determinase as pessoas se sentem seguras para agir. Define a qualidade da entrega,porque molda o quanto cada um se sente responsável pelo resultado final. Edefine como o erro é tratado: vira problema escondido quando é punido, ou écorrigido cedo quando é tratado como informação. Talvez o efeito maissilencioso seja sobre a disposição das pessoas: quem não se sente visto oureconhecido vai embora, mesmo com salário competitivo, e quem fica entrega menos,ocupado em gerir o próprio esgotamento.
Na Dietbox, vi isso de perto. A empresa crescia, mas boaparte das decisões de gente ainda passava pelos fundadores, não porque elesquisessem centralizar, mas porque o time nunca tinha sido preparado pra decidirsem eles. O trabalho ali não foi escrever um manual de quem faz o quê. Foi darcritério e autonomia ao time: orientar o suficiente para que a melhor decisãopudesse ser tomada por quem estava na ponta, sem precisar subir até o fundador.Os fundadores saíram da operação não porque delegaram tarefas, mas porque otime passou a decidir bem sozinho.
Essa cultura se constrói em decisões pequenas e repetidas:como um feedback é dado, se um 1:1 acontece de fato ou é cancelado na primeiraurgência, se uma conquista é reconhecida. A responsabilidade por issoultrapassa o RH, ela está em cada líder que conduz uma conversa difícil e emcada colaborador que decide repetir ou não o que viu ser valorizado.
Se cultura movimenta entrega, decisão e disposição, eladeveria estar na mesma mesa onde se discute crescimento e estratégia.
O convite que deixo é simples de enunciar e difícil desustentar: olhe para os detalhes pequenos do dia a dia da sua empresa. Acultura real que você construiu está ali.
Vitória Schneider é CEO e fundadora da Plunni, consultoriade gestão de pessoas para founders e empresas em crescimento. Já estruturougestão de pessoas em empresas de 200 colaboradores e em times de 10, incluindoa Dietbox, onde tirou os fundadores da operação para colocá-los de volta naestratégia de crescimento.